CLASSIFICA??O HIST?RICA!
Ah... E líder também! No dicionário da língua portuguesa a palavra alegria encontra pelo menos nove definições (contentamento; regozijo; satisfação; prazer; festa; divertimento; júbilo; jovialidade; acontecimento feliz, agora como explicar em um esporte onde a palavra alegria encontre pelo menos milhares de significados?N A palavra Felicidade possui pelo menos cinco significados (ventura; bem-estar; contentamento, êxtase; estado de quem é feliz), e lá vem este esporte novamente mostrando que esta palavra também possui tantos significados diferentes. Este esporte é o futebol. E alegria e felicidade, palavras boas até para escrever, ficam reduzidas em simples palavras (o que apenas são na verdade) perto do turbilhão de sentimentos que cada passe certo, cada jogada bem feita, cada assistência, defesa, luta, dedicação, que cada gol proporcionou até a noite deste último domingo no “Ninho da Garça”. Que me desculpem os leitores que não tem o coração tricolor. Não vou escrever como o velho mestre que a “humildade acaba aqui”, pois a humildade foi um dos principais combustíveis para este momento. Mas somente os verdadeiros corações tricolores sabem o que se passou nesta partida épica. Acredito que daqui há alguns anos (ou muitos anos) muitos irão suspirar e relembrar... “aquele time de 2008, eu estava lá na noite em que nos classificamos para nossa primeira semifinal de Paulistão...” E como não poderia deixar de ser, foi de fato um momento mágico. Afinal, até mesmo a chuva que tanto caiu durante nossos jogos, e que se mostrou novamente voraz, resolveu respeitar este momento. Como sempre a torcida fez seu papel e nos momentos mais complicados (e foram muitos durante todo o jogo) acabou sendo o décimo segundo jogador. Tudo foi muito bem desenhado. Desde a primeira rodada a certeza do trabalho bem feito e que seria possível como aqui já foi colocado “ver a moeda cair em pé”, um clube interiorano mostrando sua força e competência. Garça Paraguaia Quando o Guaratinguetá chegou ao “G-4” na quarta rodada, após uma difícil vitória perante o Rio Preto fora de casa, poucos abriram os olhos para “Garça do Vale”. Então a ousadia deste clube foi crescendo e logo na quinta rodada o Guará alcançou a liderança e na sexta de forma isolada. E para quem não acreditava na Garça, quem a chamava de “Garça Paraguaia” deve ter sido estranho ver o time do Vale do Paraíba ficar 12 rodadas (até a 18º rodada) na liderança da competição. Como deve ter sido indigesto para aqueles que ainda torcem o nariz para o interior ver o Guaratinguetá entrar na vaga de um “DELES” se me faço entender... Pois é... A “Garça Paraguaia” está voando alto e causando insônias em muita gente. Desta vez conheceram uma “Garça Paraguaia” puro sangue. Uma GARÇA DO VALE que mostrou sua força e sua fibra. Quem não tem medo de “Dinossauros” e muito menos de cara feia. Se muitos não acreditavam, a realidade bate às portas. Bem-vindos ao mundo real! Abram o jornal de segunda-feira e leiam as velhas manchetes (que ainda preferem não acreditar) e depois dêem uma espiadinha na tabela de classificação. Sim! O Guaratinguetá está classificado e está em primeiro lugar. Isto está acontecendo, enquanto muitos comemoraram por apenas ficarem algumas rodadas no chamado “G4”. O mundo gira, e o Guará lidera! O motivo? Para todo efeito existe uma causa. Se hoje o Guaratinguetá atingiu este patamar, muito se deve a forma como é gerida o futebol tricolor. Em pouco menos de dois anos o chamado “Clube empresa” mostra resultados rápidos. A transparência, a desburocratização de gestão e a honestidade foram fatores vitais para que o projeto fosse acontecendo de forma certa e equilibrada. Sempre pensando em cada passo, estudando e analisando todas as ações. Acabou o amadorismo. A prova está no dia a dia do nosso futebol. (novamente bem-vindos ao Mundo Real) afinal quantos “dinossauros” não viveram ou ainda vivem dias de tensão e incertezas? E o novo chegando. Gerir futebol com responsabilidade, transparência, honestidade, competência e até mesmo muito amor acaba dando em resultados positivos. É bem simples, uma regra geral do universo: o quê se planta hoje, colhe amanhã. O Guaratinguetá plantou trabalho e está colhendo seus frutos. Classificação e liderança não caem do céu. “Se para alguns achar que estar na semifinal foi suficiente, estão enganados pois nosso sonho ainda não se realizou”, palavras do presidente Carlos Arini (o Carlito) que conhece muito bem como está sendo conduzido este trabalho. Como foi a partida que muitos lá na frente ainda vão se lembrar com saudades... A partida histórica para o Guaratinguetá começou morna e nervosa. Muitos erros de passe, marcação acirrada, transpiração e quase nada de inspiração. Quem tem a primeira chance de gol aos 13 minutos é o Sertãozinho, Ricardo Lopes bate falta pela direita com perigo, Jaílson faz ótima defesa. O Guará só chega aos 21 minutos, Alê cobra escanteio pela direita e Renato desvia, a bola bate na trave e ninguém consegue finalizar para o gol. E vejam só a dramaticidade para o torcedor tricolor.. Em 45 minutos o guará teve apenas uma chance clara de gol. Apenas uma bola na trave. Alguns torcedores mais fanáticos já começavam a preparar suas orações. Depois deste lance, o time visitante teve mais domínio de bola e jogou melhor. Aos 28 minutos o meio-campista Ceará de fora da área aproveitou um rebote e assusta, a bola passa a direita da meta tricolor. E para deixar cada alma guaratinguetaense arrepiada, aos 33 minutos Galeano testou sozinho uma bola vindo da direita e por muito pouco não abriu o placar. Se teve bronca ou apenas palavras de acertos no vestiário durante o intervalo fica difícil saber, mas uma coisa aconteceu: o time foi outro na segunda etapa. À volta para decidir! Guilherme Macuglia e Luis Carlos Goiano fizeram o que tinha que ser feito. No 2º tempo o Guaratinguetá jogou como líder. Como um time que sabe aonde quer chegar. Logo no primeiro minuto, Alê cruza da direita a bola passa pela área do Sertãozinho e encontra os pés mágicos de Michael que apenas empurra a bola para as redes. Explosão de felicidade (ou seria alegria), os significados estão no primeiro parágrafo deste texto e o mesmo assim a bola entrou. 1x0 Guará! Incendiado! O Guará se inflama. Três minutos depois Galeano falha, Alessandro aproveita, entra na área e serve de bandeja para Dinei que não consegue finalizar. Mas nem só de ataques ferozes vive o Guará na segunda etapa. O “Touro dos Canaviais” também luta. E aos 12 minutos quase empate, após bate e rebate na área tricolor, Renato salva uma bola quase em cima da linha. Aos 27 minutos novamente Dinei quase aumenta, após ótimo cruzamento de Michael o atacante cabeceia bem, mas esbarra na ótima defesa do goleiro Lauro. E de tanto Dinei insistir a bola tinha que entrar. E acabou entrando aos 32 minutos, Jefferson faz ótima jogada pela direita e bate para o gol, o goleiro adversário bate roupa e Dinei marca o segundo e sacramenta uma festa esperada há tempos. Até o fim do jogo, Jaílson teve tempo de operar um verdadeiro milagre na bomba de Tuto, a defesa foi tão impressionante que seria um pecado tentar descrevê-la. E antes do apito final, Bolívia (que havia acabado de entrar) ainda acerta uma bomba no travessão. No fim do jogo lágrimas, abraços e a certeza que parte do trabalho já está feito. No vestiário tricolor muita comemoração. Todos abraçando. Muitos em lágrimas. Lágrimas de homem, de guerreiros. De pessoas que hoje representam e levam o nome de Guaratinguetá para o mundo. “Essa conquista não foi apenas do clube, temos que dividi - lá com a imprensa, prefeitura, parceiros e principalmente com nossos torcedores. Levamos no peito o nome e as cores da cidade e isso nos enche de orgulho”, disse o emocionado presidente Carlito. Mais uma vez: Bem-vindos ao mundo real! O Guaratinguetá é líder e está com uma rodada de antecedência classificado para a semifinal do Paulistão. E ainda tem muita coisa para acontecer... |