Da estréia em um estádio sem alambrados e rodeado de mato para a surpreendente liderança do Campeonato Paulista. Em dez anos, o Guaratinguetá deixou o anonimato e mostrou que o futebol tratado como uma empresa pode trazer lucro e até assombrar os grandes clubes.
Depois de sete rodadas em seu segundo ano na elite o Tricolor do Vale do Paraíba é a grande surpresa do Paulistão com números que impressionam: são seis vitórias consecutivas após a derrota em casa, na estréia, para o favorito São Paulo. Nesta quarta-feira, o Guará goleou o Palmeiras por 3 a 0. Campanha que enche de orgulho quem viu o clube disputar competições amadoras, perambular pelo interior e até ter os uniformes roupados.
- Em nosso primeiro jogo profissional, em 2000, o estádio do Itararé não tinha alambrado. Era uma cerca com bambu e a bola caía toda hora no mato. Alguns anos depois, em São Paulo, o time saía de um lado do ônibus e os ladrões roubavam os uniformes do outro. Corremos atrás, mas não deu para pegar. Por sorte, a empresa de material conseguiu fazer um jogo de camisa urgente. Hoje, quando vejo o time em primeiro, na elite, ergo as mãos para o céu - comemora o fundador e presidente de honra Mário Augusto Rodrigues Nunes.
Ao contrário da maioria dos outros clubes, o início do Guará foi promissor ao firmar uma parceria com os jogadores Rivaldo e César Sampaio, o que rendeu o acesso à Série B-1 (Quarta Divisão) do Paulistão. O dinheiro da dupla foi embora, mas a equipe se manteve em alta e ainda subiu mais duas vezes em três anos, chegando à Série A-2.
Em 2005, o clube seguiu à legislação e entrou para o caminho que é considerado por seus quatro proprietários o grande diferencial em comparação com os rivais: transformou-se em empresa. Abandonou a denominação Esporte Clube para adotar o Futebol Ltda. Um ano depois, o clube garantia o acesso para a elite.
- Essa é a grande saída do futebol brasileiro. Você ganha em agilidade para resolver coisas que demorariam muito nas mãos do Conselho Deliberativo, por exemplo. É sentar com os sócios e resolver o que pode ser melhor. O futebol, encarado como empresa, dá lucro – explica o atual presidente administrativo Carlos Arini.